Vitória nas urnas garante a democracia, mas a luta da classe trabalhadora continua firme
O resultado do segundo turno confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro. Para o movimento sindical e para os trabalhadores da alimentação de São Paulo e de todo o Brasil, esse resultado traz um alívio imenso. Representa a manutenção do diálogo, a defesa das instituições e o afastamento de um projeto político abertamente contrário aos direitos trabalhistas.

É uma vitória política maiúscula, e ela precisa ser celebrada. Respiramos mais aliviados sabendo que o canal de negociação com o Executivo federal continua aberto e que as conquistas sociais mais básicas não correm risco imediato de demolição.
Porém, comemoração tem dia e hora para acabar.
A vitória eleitoral não encerra a nossa jornada; na verdade, abre uma nova etapa de vigilância e cobrança. Ganhar uma eleição é afastar um retrocesso iminente, mas a verdadeira guerra do trabalhador acontece todos os dias, nas fábricas, nos moinhos, nos frigoríficos e nas mesas de negociação salarial.
O movimento sindical brasileiro não pode e não vai baixar a guarda. A história nos ensina que governo aliado não significa governo imune a pressões. Do outro lado da mesa, o setor patronal, o agronegócio predatório e o mercado financeiro continuam organizados, com forte representação no Congresso Nacional, prontos para empurrar medidas que fragilizam quem produz a riqueza deste país.
Se nós cruzarmos os braços achando que tudo está resolvido porque o presidente é do nosso campo, seremos engolidos.
O papel da FITIASP e dos sindicatos filiados continua sendo o mesmo de sempre: cobrar, pressionar e exigir avanços concretos. Precisamos de medidas que realmente façam diferença na vida de quem acorda de madrugada para trabalhar:
Valorização permanente dos salários e aumento do poder de compra no supermercado.
Revisão dos pontos mais nocivos das reformas trabalhista e previdenciária, que tiraram proteção e jogaram milhões na precariedade.
Condições dignas de saúde e segurança dentro das indústrias, com combate rigoroso ao adoecimento no trabalho.
Fortalecimento real das negociações coletivas e da organização sindical na base.
O presidente Lula tem legitimidade para governar, mas precisa sentir a força e a exigência do povo trabalhador para não ceder às pressões das elites econômicas.
A FITIASP segue atenta, combativa e independente. Ganhamos uma batalha decisiva nas urnas para manter o país de pé, mas os nossos direitos continuam dependendo unicamente da nossa união e da nossa capacidade de luta.




