1º de Maio: O Sangue Ferve, a Luta Continua e a Guerra Contra a Escravidão Moderna da Escala 6x1
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O Primeiro de Maio não é, e jamais deverá ser tratado como, um mero feriado de calendário para descanso apático ou festividades vazias. Que fique cravado na consciência de cada trabalhador e trabalhadora que esta é uma data forjada no fogo, na dor e no sangue da nossa classe. É o Dia do Trabalhador, sim, mas acima de tudo, é o Dia da Luta, do Movimento e da Resistência da Classe Trabalhadora. É o momento crucial do ano em que olhamos para as nossas mãos calejadas, para o nosso corpo exausto e para a nossa própria história, e lembramos que absolutamente nenhum direito nos foi concedido de bandeja. Tudo o que temos hoje foi arrancado das garras da elite através da mobilização implacável, da greve e do enfrentamento direto. Hoje, a FITIASP convoca cada um de vocês a despertar para a realidade brutal que nos cerca. A guerra de classes não é um conceito do passado, pois ela está mais viva do que nunca, pulsando nas linhas de produção, nos escritórios, no comércio e nas ruas de todo o Brasil.

Para entender a fúria e a necessidade inegociável de nos mantermos em pé de guerra, precisamos voltar no tempo e honrar aqueles que tombaram para que nós pudéssemos, hoje, ter o mínimo de dignidade. A verdadeira história do 1º de Maio não é um conto de fadas burguês. Ela remonta ao ano de 1886, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, quando milhares de trabalhadores corajosos cruzaram os braços e tomaram as ruas exigindo algo que hoje parece elementar, mas que na época era tratado como um crime terrível: a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. A resposta do estado burguês e dos patrões foi a barbárie pura. Bombas, tiros, prisões arbitrárias e o enforcamento de líderes sindicais, que ficaram eternamente conhecidos como os Mártires de Chicago. O sangue daqueles trabalhadores escorreu pelas sarjetas, mas também regou a semente do movimento sindical mundial. Eles morreram para nos provar que a união inquebrável da classe trabalhadora é a única força real capaz de dobrar a espinha dorsal do capitalismo exploratório.
E é exatamente com o espírito indomável dos Mártires de Chicago que precisamos encarar a nossa realidade atual. A classe trabalhadora brasileira está, neste exato momento, em uma guerra declarada e desgastante contra a elite burguesa do país. O campo de batalha da vez tem um nome claro, asqueroso e desumano: a escala 6x1. Não se enganem com os discursos polidos dos engravatados nas telas da televisão. A escala 6x1 não é um modelo de trabalho flexível, é uma verdadeira máquina de moer gente. É a institucionalização do esgotamento físico e mental em larga escala. Trabalhar seis dias consecutivos, entregando a juventude, a saúde e a energia vital para ter apenas um mísero dia de descanso, o qual na verdade é usado para limpar a casa, pagar contas e desmaiar de exaustão no sofá, é uma afronta repugnante à própria condição humana.

A escala 6x1 adoece de forma covarde. Ela destrói famílias, pois o trabalhador sai no escuro e volta no escuro, totalmente privado do direito sagrado de ver os próprios filhos crescerem. Ela gera uma epidemia silenciosa de ansiedade crônica, depressão profunda, crises de pânico, lesões por esforço repetitivo e uma sensação asfixiante de que a vida se resume, unicamente, a enriquecer o patrão enquanto o próprio corpo apodrece em vida. O mal que essa rotina maldita causa na saúde mental e física dos trabalhadores é irreparável e sangra a nossa classe diariamente. É uma tortura psicológica rotineira, onde o lucro obsceno de poucos é financiado pela morte lenta, triste e silenciosa de muitos.
Mas a burguesia nacional, covarde e gananciosa como sempre foi ao longo dos séculos, treme de pavor diante da nossa organização. Eles estão em desespero profundo, utilizando todo o seu poderio financeiro, sua mídia comprada e seus políticos de estimação para impedir a todo custo que a classe trabalhadora ponha um fim na escala 6x1. E qual é a arma que eles usam? A mesma de sempre: a mentira descarada e o terrorismo econômico. Hoje, os ricaços e herdeiros de fortunas gritam aos quatro ventos que o país vai quebrar, que os produtos vão encarecer de forma absurda e que haverá demissões em massa se a jornada for reduzida.
Parem e reflitam sobre a nossa história. Não foi exatamente esse o mesmíssimo discurso nojento que a elite escravocrata usou quando o movimento abolicionista exigiu o fim da escravidão? Não foi essa mesma mentira que os patrões berraram quando a classe trabalhadora conquistou, com muito sangue, o direito às férias remuneradas, ao descanso semanal, ao décimo terceiro salário e à criação do salário mínimo? Sim, a história se repete de forma patética e previsível. Todas as vezes, absolutamente todas as vezes na história humana em que surgiram propostas reais para melhorar, proteger e humanizar a vida do povo trabalhador, a elite foi visceralmente contra. Eles inventam catástrofes irreais para proteger seus bolsos superlotados. Que a verdade seja dita com todas as letras e ecoe nos ouvidos de cada operário: se dependesse da suposta boa vontade da elite e dos patrões, nenhum direito trabalhista existiria até hoje. O sonho inconfessável da burguesia brasileira sempre foi, e continua sendo, ver o trabalhador reduzido a escravo, labutando até o colapso por um prato de comida, sem voz, sem tempo, sem direitos e sem vida.
Portanto, o nosso recado, a postura intransigente da FITIASP e de cada sindicato combativo espalhado por este país é apenas uma: nós não recuaremos um único milímetro. Temos que nos manter implacavelmente mobilizados, unidos como um punho cerrado pronto para o embate, pelo fim absoluto e irrevogável da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem nenhuma, repito, sem NENHUMA redução de salário. A riqueza infinita desse país é produzida, gota a gota, pelo suor da nossa testa. É a nossa classe que acorda de madrugada, que enfrenta o frio e a chuva, que enche os ônibus lotados, que movimenta as engrenagens das indústrias, que assa o pão, que limpa as ruas, que opera a tecnologia e que constrói a grandeza das cidades. O mínimo que exigimos é o direito básico de viver, e não apenas de sobreviver como máquinas de carne. Exigimos tempo para o lazer, para a cultura, para o descanso verdadeiro, para amar nossas famílias e para sermos seres humanos plenos em toda a sua essência.

Neste 1º de Maio, não aceitaremos tapinhas nas costas, bombons ou discursos cínicos de parabenização patronal. Que a nossa indignação reprimida seja o combustível inflamável da nossa vitória iminente. Que o cansaço acumulado nas nossas costas e mentes se transforme na força motriz capaz de paralisar as engrenagens desse sistema podre e explorador. A elite quer nos manter de cabeça baixa, sugando nossa vitalidade na masmorra da rotina exaustiva, mas eles cometem o erro fatal de esquecer um detalhe crucial: nós somos a esmagadora maioria. Nós somos o motor que faz o mundo girar. A luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada sem perda salarial é a grande batalha da nossa geração, e nós não entramos nela para perder.
Trabalhadores e trabalhadoras, mantenham a guarda alta e a mobilização firme. A guerra está acontecendo agora. A vitória será nossa, custe o que custar, pois a força de quem produz não pode ser contida para sempre.
Viva a classe trabalhadora! Viva o 1º de Maio de luta! Fim da escala 6x1 já!



